Sob a perspectiva de um reexame do momento de formação do teatro épico contemporâneo, esta dissertação consiste em um estudo sobre o trabalho colaborativo de Bertolt Brecht e Kurt Weill nos anos de 1926 a 1933, com ênfase no assim...
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contemporâneo, esta dissertação consiste em um estudo sobre o trabalho colaborativo de
Bertolt Brecht e Kurt Weill nos anos de 1926 a 1933, com ênfase no assim chamado
‘teatro de atualidades’ elaborado pelos artistas. Assumindo como linha condutora os três
momentos centrais da República de Weimar (a crise de 1919-1923, a estabilização
econômica e o craque de 1929), tentamos apreender como lírica, teatro e música
confluíram criticamente na criação de um teatro político à altura das questões envolvidas
no processo histórico de realinhamento capitalista do governo de coalizão de
esquerda SPD/USPD, bem como suas complexas implicações na cultura. Para tanto,
em diálogo com a crítica literária brasileira e alemã, realizamos uma leitura da obra do
jovem Brecht pautada pela questão da abordagem da música em seu livro de estreia como lírico, Hauspostille (1927), onde certo veio da
cultura urbana anticapitalista dos cabarés da belle époque foi mobilizado, através da
influência da lírica e do teatro de Frank Wedekind. Noutro nível, sob a linha condutora
do projeto brechtiano de uma “ópera culinária”, procuramos traçar um apanhado das
questões que marcaram a formação da linguagem musical de Kurt Weill,
problematizando o desenvolvimento de seu trabalho coletivo com o ‘Novembergruppe’,
sua abordagem da ópera moderna e da ‘música utilitária’ e finalmente seu pensamento
sobre as potencialidades estético-políticas do rádio. O trabalho se conclui, enfim, pela
análise de três obras da parceria Brecht/Weill: Berliner Requiem (1929), Mahagonny
Songspiel (1927) e A ópera dos três vinténs (1928).