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Por Márcio Falcão, TV Globo e g1 — Brasília


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, foi sorteado nesta segunda-feira (27) relator da ação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.

O sorteio foi de livre distribuição. A ação questiona um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo foi exibido no sábado (25), durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

A representação foi protocolada neste domingo (26).

'Bolsonaro de IA' manda mensagem para Flávio em lançamento de candidatura

'Bolsonaro de IA' manda mensagem para Flávio em lançamento de candidatura

No vídeo, a versão digital de Jair Bolsonaro afirma:

“Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos. Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam em nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente.”

Para a federação, o conteúdo ultrapassou os limites permitidos para a divulgação de uma candidatura e configurou propaganda eleitoral antecipada.

🔎 A propaganda eleitoral nas eleições de 2026 só está autorizada a partir de 16 de agosto.

A ação argumenta que o vídeo fez referência direta ao cargo em disputa e usou expressões equivalentes a um pedido explícito de voto. Também sustenta que, embora o vídeo informe que se trata de uma simulação, as regras do TSE proíbem o uso de conteúdo sintético para favorecer uma candidatura, mesmo quando há autorização para reproduzir a imagem ou a voz.

"Trata-se, portanto, de expediente que potencializa a propaganda eleitoral antecipada e, simultaneamente, afronta a vedação do uso de inteligência artificial que objetive criar conteúdo sintético para substituir imagem e voz de pessoa viva, além de burlar a restrição judicial imposta ao ex-Presidente mediante o emprego de tecnologia de reprodução sintética”, afirma a federação na ação.

Com base nisso, a federação pede, em caráter urgente, a retirada do trecho das transmissões do PL e de Flávio, a proibição de novas divulgações e, se necessário, que o YouTube faça a remoção.

Além disso, pede que, após o julgamento, o TSE reconheça a propaganda eleitoral antecipada e o uso irregular de IA, além de aplicar multa de R$ 30 mil por publicação e por representado.

O evento ocorreu em São Paulo e lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro sem anunciar o nome do vice. Além do vídeo com a imagem de Jair Bolsonaro, a convenção teve uma mensagem de apoio de Michelle Bolsonaro e um discurso do presidente da Argentina, Javier Milei.

Flávio Bolsonaro discursa; vídeo de Bolsonaro feito de IA é exibido — Foto: Reuters; Reprodução/YouTube

Restrições impostas a Bolsonaro

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está sujeito a restrições determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas a proibição de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros e independentemente do meio utilizado.

Antes da convenção, o ministro Alexandre de Moraes entendeu que Bolsonaro descumpriu as condições da prisão domiciliar após Flávio divulgar uma carta na qual o pai o indicava como porta-voz e reafirmava apoio à candidatura do filho. Como consequência, Moraes proibiu o senador de visitar o ex-presidente por 90 dias.

Além disso, Moraes determinou que o ex-presidente não poderá receber visitas com finalidade "político-eleitoral" até o final das Eleições 2026 e suspendeu a divulgação de manifestos "políticos-eleitorais, inclusive por pode meio de terceiros, independentemente do meio utilizado".

O ministro do STF também suspendeu visitas gerais a Bolsonaro por 30 dias, com exceção de visitas permanentes da equipe médica, fisioterapêutica e dos advogados.

Flávio Bolsonaro discursa; vídeo de Bolsonaro feito de IA é exibido — Foto: Reuters; Reprodução/YouTube

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