Papers by Fernando Amorim

JANUS 2010 anuário de relações exteriores Nacionalismo e desalienação africana a África Negra ang... more JANUS 2010 anuário de relações exteriores Nacionalismo e desalienação africana a África Negra anglófona, o modelo de administração indirecta permitiu livre curso às manifestações e expressão da cultura tradicional e ao aparecimento de numerosos jornais já redigidos por africanos, a maioria das vezes deliberadamente em línguas vernáculas, para consolidação do sentimento nativista. Ainda assim, a ideia da autonomia total face ao Império Britânico apenas emergiria claramente nas vésperas da 2.ª Guerra Mundial com a criação do Nigerian Youth Movement (1936) e no rescaldo do enfraquecimento económico da Europa e EUA subsequente ao esvaziamento da "bolha especulativa" e crise económica de 1929. Mas é naqueles jornais que aparece a primeira geração de pensadores e líderes africanos: Azikiwe da Nigéria; Jomo Kenyata, membro destacado da associação cultural quicuiu, do Quénia; Nkrumah do Gana. Enquanto isso, apesar da primazia cronológica, na África Negra francófona os constrangimentos conjugados da "administração directa" e da política de assimilação impossibilitaram qualquer vislumbre de uma signifi cativa vida cultural autónoma. Este facto explica que seja lançado de
Brígida Brito Carlos Morais Célia Quintas Fernando Amorim Helena Curto Madalena Romão Mira Maria ... more Brígida Brito Carlos Morais Célia Quintas Fernando Amorim Helena Curto Madalena Romão Mira Maria João Mortágua Sofia José Santos É compreensível que a “diplomacia”, tradicional prerrogativa dos Estados soberanos, seja hoje uma actividade exercida por novos agentes, entre eles, as cidades: já que concentram em si fontes de poder (população, riqueza, conhecimento, trocas de toda a espécie), elas marcam presença nos assuntos mundiais, relacionam-se directamente entre si, criam estruturas autónomas de interligação, ou seja, desenvolvem aquilo que frequentemente se designa como “paradiplomacia”, talvez não tanto no sentido de “diplomacia paralela”, mas antes na acepção de uma “quase diplomacia”, exercida por agentes sub-estatais com relativa autonomia em relação aos poderes do Estado nacional.
Arruda dos Vinhos, uma história de poderes: Da arqueologia das jurisdições senhoriais medievais ao foral manuelino
Óscar Romero: o revolucionário de Deus

riginário da América, o Pan-Africanismo constituiu-se inicialmente como simples manifestação de s... more riginário da América, o Pan-Africanismo constituiu-se inicialmente como simples manifestação de solidariedade fraterna entre todos os africanos, entendidos de modo lato como os africanos e as gentes de ascendência africana naturais das Antilhas britânicas e dos EUA excluindo os europeus nascidos em África e que, a prazo, a partir da década de 50, transformar-se-ia (1955) em instrumento para a tentativa de edifi cação, sob a égide de Kwame Nkrumah, dos "Estados Unidos da África". Contudo uma análise mais rigorosa permite identifi car três correntes distintas neste movimento, bem como três etapas no seu processo evolutivo. Uma primeira corrente, a do orgulho rácico, ao qual corresponde igualmente a primeira etapa do movimento, traduziu-se na tentativa de líderes e escritores africanos naturais das Antilhas e dos Estados Unidos de erguer moralmente os negros da diáspora e de África, destacando-se nelas dois grandes líderes: um negro da Jamaica,
JANUS 2010 anuário de relações exteriores O nacionalismo afro-asiático pós-1945, mais do que uma ... more JANUS 2010 anuário de relações exteriores O nacionalismo afro-asiático pós-1945, mais do que uma simples repetição do pós-1919 acentua o ocaso das potências europeias coloniais e as dinâmicas centrífugas, potenciadas pela participação de asiáticos e africanos nos exércitos aliados, a afi rmação dos países democráticos, o interesse de ambas as novas superpotências em liquidar os impérios coloniais e particularmente o consenso em torno dos ideais de liberdade. Com efeito, para além do paralelismo, da

Pan-africanismo intelectual: a utopia possível(?) epois do Pan-africanismo rácico e do Pan-africa... more Pan-africanismo intelectual: a utopia possível(?) epois do Pan-africanismo rácico e do Pan-africanismo político, lugar de destaque no Pan-africanismo cabe ao Panafricanismo intelectual, embora sem nunca se ter traduzido em etapa distinta neste movimento. Esta corrente teve como precursores J. Price-Mars e R. Maran e, mais tarde, encontrou em Léopold Senghor (Senegal), em Aimé Césaire (Martinica) autor de Cahier d'un retour au pays natal, que tanto contribuiu para chamar a atenção sobre a diáspora negro-africana e que lhe cunhou o termo Negritude e no fi lósofo Jean-Paul Sartre (França) os seus defensores maiores. Conceptualmente o Pan-africanismo intelectual ou Negritude assenta no princípio de que as civilizações africanas foram adulteradas pela colonização branca, pelo que só poderiam recompor-se pondo termo a esta e reencontrando-se consigo próprias mediante um retorno às origens e pela exaltação dos seus tradicionais valores culturais e étnicos (Gonçalves, 1986: 626-632).
Israel: Uma Sociedade Complexa
Janus, 2003
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