Papers by Rodrigo Kamimura
Existe em muita gente, penso eu, um desejo semelhante de não ter de começar, um desejo de se enco... more Existe em muita gente, penso eu, um desejo semelhante de não ter de começar, um desejo de se encontrar, logo de entrada, do outro lado do discurso, sem ter de considerar do exterior o que ele poderia ter de singular, de terrível, talvez de maléfico. A essa aspiração tão comum, a instituição responde de modo irônico; pois que torna os começos solenes, cerca-os de um círculo de atenção e de silêncio, e lhes impõe formas ritualizadas, como para sinalizá-los à distância.

Revista Interfaces, 2016
RESUMO
Este artigo aborda o contexto do segundo pós-guerra brasileiro, período de forte prosperid... more RESUMO
Este artigo aborda o contexto do segundo pós-guerra brasileiro, período de forte prosperidade econômica e de construção das instituições democráticas, após o fim do Estado Novo. Para tanto, realizamos uma breve explanação sobre a pauta artística, econômica e política no período, com o início da Guerra Fria. Logo após, perpassamos o debate sobre o Nacionalismo, que impulsiona fortemente as manifestações intelectuais em fins dos anos 1940 e início dos 1950. Em seguida, fazemos uma incursão sobre as polêmicas envolvendo as críticas realizadas pelo suíço Max Bill à arquitetura brasileira. Por último, retomamos a pauta do Nacionalismo e da identidade cultura brasileira em suas relações com a arquitetura, no emblemático Congresso Brasileiro de Arquitetos de 1954, realizado em São Paulo e em pleno momento de comemoração do 4º centenário daquela cidade. Recapitulamos estes três momentos da história da arquitetura brasileira como sendo de grande importância para a construção de uma agenda de debates que irá informar substancialmente a disciplina e a profissão arquitetônicas em pleno processo de urbanização e modernização do país e de suas cidades.
PALAVRAS-CHAVE
Pós-Guerra; São Paulo; Arquitetura brasileira; Realismo; Max Bill; Nacionalismo.
ABSTRACT
This papers approaches the Brazilian second postwar period, time of economic prosperity and construction of democratic institutions, after the end of the “New State”. To achieve it, we conduct a short explanation about the artistic, economic and political agenda of that period, with the beginning of the Cold War. Then, we approach the debate over Nationalism, which strongly promotes intellectual manifestos in the late 1940s and early 1950s. Following, we make an incursion through the polemic criticism of Swiss designer Max Bill regarding Brazilian architecture. Finally, we go back to the problem of Nationalism and Brazilian cultural identity, in its relations to architecture, brought up in 1954 Brazilian Architects’ Congress, which took place at São Paulo in the very moment of its 400th anniversary. We review these three moments in the history of Brazilian architecture as being of great importance to the construction of a discussion agenda which will substantially inform architectural discipline and profession in the moment of urbanization and modernization processes of the country and its cities.
KEYWORDS
Postwar; São Paulo; Brazilian architecture; Realism; Max Bill; Nationalism.

Anais Seminario De Historia Da Cidade E Do Urbanismo, Nov 1, 2012
O presente trabalho trata da obra do grupo inglês Archigram, formado por seis arquitetos e cuja p... more O presente trabalho trata da obra do grupo inglês Archigram, formado por seis arquitetos e cuja produção coletiva vai de 1961 a 1974. Aborda, de forma específica, o projeto para a Plug-in City, elaborado por Peter Cook (integrante do grupo) a partir de 1964. O objetivo é o de levantar alguns questionamentos sobre a "ideia" ou a "imagem" da variedade e da multiplicidade propostas por Archigram em Plug-in City, buscando confrontá-las com a complexidade dos processos de produção e conformação metropolitanas que, na maior parte das vezes, escapam à dimensão reguladora de desenho arquitetônico, articulando-se, ao invés disso, na busca de formas outras de comunicação, expansão e integração sistêmica. Para tanto, percorremos brevemente as discussões do grupo a partir da história da revista ("magazine") Archigram, principal veículo de divulgação de suas ideias. Em seguida, analisamos o projeto mesmo de Plug-in City, suas peças gráficas, e também elaborações correlatas -desenvolvidas pelo próprio Archigram e também por outros arquitetos e coletivos -, com o intuito de situar historicamente o objeto analisado. Por fim, recapitulamos algumas formulações historiográficas de interesse (Reyner Banham, Manfredo Tafuri e Alan Colquhoun) que, ao abordarem a obra de Archigram a partir de diferentes vieses metodológicos, fornecem-nos uma visão multifacetada do problema, apontando algumas restrições e possibilidades -não somente ideológicas, mas também históricas -que se afirmavam de forma cada vez mais enfática naquele momento, no âmbito do discurso sobre a arquitetura e sobre as cidades. Archigram, 1961-1974: breve histórico 1 Em meados da década de 1960, um grupo de arquitetos recém-graduados começa a produzir em Londres, de forma independente, uma publicação com idéias sobre arquitetura. A primeira edição da revista, ou "magazine" Archigram (cujo nome vem da abreviação de architectural telegram, ou aerogram, um "telegrama", ou "aerograma arquitetônico") foi lançada em 1961 por Peter Cook, David Greene e Michael Webb, e era, na verdade, uma edição caseira, que consistia em um panfleto dobrado feito com papel barato e outra folha dentro. Na parte externa, compareciam projetos acadêmicos elaborados por estudantes londrinos, notadamente inspirados por formas futuristas e expressionistas; na página interna, poemas escritos por Greene. No ano seguinte, juntam-se ao grupo três outros arquitetos que já contavam com certa experiência profissional: Ron Herron, Dennis Crompton e Warren Chalk. O sexteto publica, então, a segunda edição da revista, desta vez com acabamento um pouco mais aprimorado. O grupo realiza sua primeira exposição coletiva: Living City, no Institute of Contemporary Arts (ICA, Instituto de Artes Contemporâneas), em 1963; é o marco a partir do qual Archigram assume para si o nome da revista. Em 1964, publica sua quarta edição, Amazing Archigram, e o projeto para a Plug-in City 2 .
Tecnologia, emancipação e consumo na arquitetura dos anos sessenta: Constant, Archigram, Archizoom e Superstudio

O presente trabalho trata da obra do grupo inglês Archigram, formado por seis arquitetos, cuja pr... more O presente trabalho trata da obra do grupo inglês Archigram, formado por seis arquitetos, cuja produção coletiva vai de 1961 a 1974. Aborda, de forma específica, o projeto para a Plug-In City, elaborado por Peter Cook (integrante do grupo) a partir de 1964. O objetivo é levantar alguns questionamentos sobre a "imagem" da variedade e da multiplicidade propostas por Archigram em Plug-in City, buscando confrontá-la com a complexidade dos processos de produção e conformação metropolitanas que, na maior parte das vezes, escapam à dimensão reguladora do desenho arquitetônico -articulando-se, ao invés disso, na busca de formas outras de comunicação, expansão e integração sistêmica. Para tanto, percorremos brevemente as discussões do grupo a partir da história da revista ("magazine") Archigram, principal veículo de divulgação de suas ideias. Em seguida, analisamos o projeto mesmo de Plug-in City, suas peças gráficas e também algumas elaborações correlatas -teóricas e projetuais -, com o intuito de situar historicamente o objeto analisado. Por fim, recapitulamos algumas formulações historiográficas de interesse (Reyner Banham, Manfredo Tafuri e Alan Colquhoun) que, ao se aproximarem da obra de Archigram a partir de diferentes vieses metodológicos, fornecem-nos uma visão multifacetada do problema, apontando algumas restrições e possibilidades -não somente ideológicas, mas também históricas -que se afirmavam de forma cada vez mais enfática naquele momento, no âmbito do discurso sobre a arquitetura e sobre as cidades.

Risco: Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo (Online), 2013
revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo programa de pós-graduação do instituto de arquitet... more revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo programa de pós-graduação do instituto de arquitetura e urbanismo iau-usp ão Carlos, 02 de outubro de 2012. Rodrigo Kamimura Para começar, eu queria saber se você poderia comentar um pouco sobre a atmosfera intelectual e o clima político, especialmente entre os anos de 60 e 64, quer dizer, entre Brasília e o golpe, tentando relacionar um pouco essa questão que não é muito abordada na história da arquitetura, com relação à história política... Sérgio Ferro Eu quero começar com uma sugestão bibliográfica: o Roberto Schwarz escreveu um artigo excelente sobre esse período cultural, eu acho que vale a pena você recorrer a ele, é a melhor síntese que eu conheço desse período... RK É o "Cultura e política, 1964-1969"? SF É, isso. Acho que é um bom apanhado, uma boa síntese e, em particular, acho bastante interessante a oposição que ele faz entre, a partir de 64, a presença da ditadura e a presença política da direita que é estranhamente contemporânea a uma quase hegemonia total do pensamento de esquerda (intelectuais, revistas, universidade, etc.). Um contrabalanço muito estranho, raro, e eu acho que pesa bastante no que acontece nesses anos. Entretanto, o período sobre o qual você pediu para eu falar é um pouco anterior a isso, já que vai de 60 a 64... Nos anos 60, pelo que me lembro, havia uma grande mobilização na esquerda. Desde os CPCs, o movimento estudantil, as publicações, a quase que euforia do Partido Comunista, que dizia "nós estamos quase no poder"..., e isso acompanhado ainda pelas medidas populares, de abertura, do Jango, que não chegaram a ser concretizadas, mas alimentavam este clima. O debate arquitetônico, mais do que nunca nesse período, seguiu a quase que palavra de ordem do [João Batista Vilanova] Artigas, sobre a função social do arquiteto. Nossos debates raramente se localizavam em torno da produção da arquitetura burguesa, da casinha do burguês, etc., mas da problemática social da habitação popular e dos equipamentos sociais de base para a população: escolas, hospitais, creches, etc. Isso não só como finalidade da arquitetura mas, com relação também aos meios: quais os meios adequados para que se pudesse começar a atender essas necessidades, o que todos nós acreditávamos seria uma reivindicação social próxima. Achávamos que estava chegando a época, nesse mesmo período, em que essas reivindicações, essas necessidades, deveriam começar a ser atendidas. Havia uma grande discussão nesse âmbito. Várias posições, no campo da arquitetura, se apresentam, com propostas bastante diferentes. Eu tenho mais lucidez, no meu caso, a propósito das propostas do Artigas e as nossas, que eram, se bem que visassem o mesmo fim, mais ou menos contraditórias. O Artigas, bem dentro da linha do PC da época, e de um certo tipo de marxismo, que era o marxismo do PC, acreditava que a "missão", no momento, era a de pedir sobretudo, um cuidado muito grande a propósito da evolução das forças produtivas: certos aspectos da construção, da ciência da construção, dos métodos, da elaboração de projeto, etc. Nós, ao contrário, estou falando da Arquitetura Nova, Rodrigo Lefèvre, Flávio Império e eu achávamos que, ao contrário, seria o momento de cuidar das relações de produção. Não seria possível, a nosso ver, pretender atender as necessidades populares, dos mais carentes, e ao mesmo tempo, fazer com que
Risco: Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo (Online), 2013
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Este artigo aborda o contexto do segundo pós-guerra brasileiro, período de forte prosperidade econômica e de construção das instituições democráticas, após o fim do Estado Novo. Para tanto, realizamos uma breve explanação sobre a pauta artística, econômica e política no período, com o início da Guerra Fria. Logo após, perpassamos o debate sobre o Nacionalismo, que impulsiona fortemente as manifestações intelectuais em fins dos anos 1940 e início dos 1950. Em seguida, fazemos uma incursão sobre as polêmicas envolvendo as críticas realizadas pelo suíço Max Bill à arquitetura brasileira. Por último, retomamos a pauta do Nacionalismo e da identidade cultura brasileira em suas relações com a arquitetura, no emblemático Congresso Brasileiro de Arquitetos de 1954, realizado em São Paulo e em pleno momento de comemoração do 4º centenário daquela cidade. Recapitulamos estes três momentos da história da arquitetura brasileira como sendo de grande importância para a construção de uma agenda de debates que irá informar substancialmente a disciplina e a profissão arquitetônicas em pleno processo de urbanização e modernização do país e de suas cidades.
PALAVRAS-CHAVE
Pós-Guerra; São Paulo; Arquitetura brasileira; Realismo; Max Bill; Nacionalismo.
ABSTRACT
This papers approaches the Brazilian second postwar period, time of economic prosperity and construction of democratic institutions, after the end of the “New State”. To achieve it, we conduct a short explanation about the artistic, economic and political agenda of that period, with the beginning of the Cold War. Then, we approach the debate over Nationalism, which strongly promotes intellectual manifestos in the late 1940s and early 1950s. Following, we make an incursion through the polemic criticism of Swiss designer Max Bill regarding Brazilian architecture. Finally, we go back to the problem of Nationalism and Brazilian cultural identity, in its relations to architecture, brought up in 1954 Brazilian Architects’ Congress, which took place at São Paulo in the very moment of its 400th anniversary. We review these three moments in the history of Brazilian architecture as being of great importance to the construction of a discussion agenda which will substantially inform architectural discipline and profession in the moment of urbanization and modernization processes of the country and its cities.
KEYWORDS
Postwar; São Paulo; Brazilian architecture; Realism; Max Bill; Nationalism.